Sem alívio

Posted by in Trópico de Câncer

Os três dias (quarta, quinta e sexta-feira) de quimioterapia na clínica foram suportáveis. Cada etapa foi cumprida na companhia de pacientes diferentes. No primeiro dia, um senhor muito alto assistiu a toda a confusão com a clínica e não disse nada. Conversamos alguma coisa sobre a vida de cada um. Mas o que valeu foi a firmeza quase teatral com que ele afirmou, ao se despedir, que venceria a doença. No segundo dia, cometo uma gafe e deixo um senhor de Palmeira das Missões assustado. Do alto de seus 60 anos, ele tremeu quando soube que, na minha segunda bateria de químio, a mesma que ele estava fazendo, fiquei três dias sem comer, com muita náusea e vômito. Mas como eu ia saber que ele estava naquela etapa? A terceira tarde foi a mais rápida, porque dormi todo o tempo, o que ajudou acelerar tudo. No final, nenhuma sensação de alívio. Talvez porque tenha partido com a bomba injetando flouracil e com a cabeça nos eventuais efeitos da cisplatina. De diferente e um tanto “heróico” só a disposição para comer. Foram quatro sanduíches por dia logo que chegava em casa.