Plaquetas que dizem sim

Posted by in Trópico de Câncer

Minhas plaquetas devolveram a mensagem positiva que minha mãe tanto rezou: 74 mil, mais do que os 66 mil da semana passada. Meus médicos queriam dar reinício já ao tratamento na quarta da semana anterior. Eu que adiei para ganhar mais um tempo e porque quero cumprir as aplicações apenas nas sextas. Assim posso me preparar para os efeitos colaterais nos findis, com repouso e muita água para eliminar os resíduos e tudo o mais. Mônica e Senna estão no Rio, supostamente em um congresso. As enfermeiras, diante do resultado, consultaram o médico de plantão e o cara simplesmente disse: melhor preservar o rapaz. Obviamente aquilo provocaria certa insegurança no paciente e seus familiares. Não foi bem assim conosco. Estávamos convictos de que aquilo era mais do que suficiente. Quer dizer… da minha parte já estava indo embora, mas Tata, inflexível, tomou a frente das negociações e reafirmou os planos de Senna e Mônica. A enfermagem tenta ligar para Andrea, mas é claro que no meio de uma palestra ela não atenderia a clínica, que provavelmente queria o aval para alguma coisa burocrática qualquer. Agora, se um paciente liga, bem, aquela doutora não é negligente, isso não é. – Alô (meio sem saco). – Oi, Andrea, é Enrico. O resultado foi 77 mil, posso fazer? – Claro! – O pessoal aqui da enfermagem não quer autorizar, podes falar com elas? – Sim, claro. Blablablablala e lá fui eu pro quatinho tipo hotel de 2a divisão, me sentei, furaram a pele pra injetar o químico e correu tudo bem. Eu e Tata já estamos deixando nosso home theather agora e pretendo me dedicar, nas próximas horas, à leitura, enquanto meu amor tentará resistir ao sono à frente da TV Globo por cerca de meia hora e capotará, resistente.

De novidade sessão-horror, tenho coisas para contar, MÁS BÁ SE NÃO! Na quarta assisti o jogo entre Colorado e Boca Junios, vencido pelo Inter aos 48 minutos, jogo típico de clássico sul-americano. Sensacional! Não importa o que aconteça, deixamos os argentinos loucos no final, o goleiro deles, da seleção deles, ficou tão perturbado que foi expulso depois do jogo já ter terminado (o que é possível, senhoras!). Enfim, fora de série! Fiz um churrasquinho salgado pro pai (errei no sal pela segunda vez esse mês, estou puto!) e fui dormir feliz da vida. Por volta de 3h da manhã uma dor começou de um jeito atroz. Com toda a força! Meia hora depois todo o corpo, todo o corpo doía muito! Não era possível mexer o braço, as pernas, tentar sentar na cama era o suplício do suplício, comecei a gemer, Tata acordou e foi ficando tão desesperada quanto que eu. Começamos a administrar os remédios: Tylex, Metadona, mais um Tylex, depois um Ultraset e mais outras coisas que não lembro, mas nada… as dores aumentando, os gemidos viraram urros… E é claro que comecei a me contorcer, porque não existe posição possível quando se está assim. E a cada movimento, maior a intensidade! Olhei pra Tata e disse a palavra mágica: Morfina! Ela aplicou na minha barriga (era a primeira vez que fazia isso na vida). Não adiantou muito. E daí, sabem como é Tata, ela respeita as regras. A doutora tinha dito, meia ampola e espere duas horas até a próxima aplicação. Bem, não havia negociação. Daí – com a continuidade da crise – chamamos a Eco-Salva, serviço de atendimento em casa, porque Tata queria me levar pro hospital, e eu tive que ser o mais claro possível: – Eu não vou e não consigo me mexer sem sofrer. Chame os caras aqui em casa e eles que elimem minha dor sem que a gente entre num esquema mercenário e burocrático! Eles vieram e quando souberam da morfina respeitaram as regras também. Injetaram Tramal ou coisa parecida. Dormi por duas horas, nem vi eles partirem. Acordei com a dor ainda mais forte. Chamei então JK aos prantos, isso já era algo em torno de 9h da matina. O cara foi muito gente! Largou tudo que estava fazendo e não sei como atravessou a cidade em menos de 40 minutos, aplicou uma bela dose de morfina que cheguei a dormir de língua de fora. Acordei não lembro mais que horas e estou normalzito nomáz desde então, como se nada tivesse acontecido. Isso enlouquece qualquer um, sabem? Porque realmente não tenho qualquer resquício de dor.

Por mérito, criatividade e senso de oportunidade, hoje tive mais uma realização. Entreguei todas as notícias que o meu site sobre tecnologia publicou desde a sua fundação para o Museu Hipólito José da Costa. Agora, a vida profissional de muita gente e a história das empresas do mercado local estão mais do que preservadas: poderão ser pesquisadas por quem quiser contar um pouco do que pensavam os empreendedores da época atual. Foi um lance genial, num evento simples mas bonito, realizado num almoço onde boa parte das personalidades do segmento estavam presentes. Profissionalmente, aliás, as coisas vão muito bem obrigado. Caiam fora urubus, já estão ocupados demais com a minha saúde! Por favor! Eu mal compareço na minha empresa. Quando consigo fazer algo tem que ser legal. Então, vão cuidar de suas vidas, secadores!

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Trópico de Câncer
Comentários do post 37546003

Ola querido, Desejo um bom fim de semana para voce e sua familia! E que Deus lhe abencoe! beijossssssssss Ale

Alessandra | Email | Homepage | 29-10-2005 22:07:41

É isso aí Enrico, segue firme e forte! Xô urubuzada! Saiba que você é verdadeiro exemplo de vida pra mim. Te acompanho de longe, muito longe…Hoje não estou muito bem pra comentar melhor, volto outro dia…abraços pra você e a guerreira de tua esposa Tata! Bom domingo e muita paz…

Milena | 23-10-2005 15:38:58

Olá, como já te falei por e-mail, sou uma tiete desconhecida mas que passa por aqui para se inspirar e para torcer muito. Foi muito bom ver que as plaquetas entenderam tudo: tem gente que não se entrega e pronto. Parabens, e muita, muita força para vc e sua companheira querida, porque esta é a força que vcs me dão. Heloisa

heloisa | Email | 22-10-2005 10:01:18

Grande JK! Sou do fã Clube. Em frente, Enrico. Beijo.

Claude | 22-10-2005 01:23:54