Osso dolorido de roer

Posted by in Trópico de Câncer

As últimas semanas foram complicadas. Minha agenda profissional estava altamente positiva. Eu tinha uma palestra para fazer. Minha empresa formalizou a entrega de notícias publicadas digitalmente para um Museu num evento que reuniu praticamente todas as lideranças empresariais e políticas do segmento em que estamos inseridos. E ainda reuní num café da manhã os patrocinadores da minha coluna no jornal (já contei aqui antes) com a direção do impresso. Todos os eventos eram pela manhã. E em todos os dias eu tive dores lancinantes nos ossos. Afora os dias em que tive simplesmente dor, sem eventos para piorar a situação. A salvação passou por morfina. Meia ampola, por vezes uma inteira. Aplicadas sempre sob tensão por Tata depois de aturar longas horas de gemidos e até gritos de dor. Dóem, por vezes isoladamente, outras vezes em conjunto, a caixa torácica, a junção dos ombros, os joelhos, a virilha, o fêmur. Não consigo me levantar sem gritar de dor, girar o corpo na cama já é quase impossível. Foi também por esse motivo que resolvemos contratar uma empresa de serviços ambulatoriais para casos de emergência. Tata e eu logo vimos que, naquele estado, se eu precisasse ser transportado para o hospital, ela sozinha não conseguiria me carregar. Também serviria para aplicações de morfina ou outros medicamentos na veia. O serviço acabou se mostrando insatisfatório em vários aspectos. Demora no atendimento e profissionais aparentemente despreparados foram alguns dos aspectos notados. O incrível de tudo isso, entretanto, é que aplicada a morfina, as dores somem e passo o dia ou dias sem ter qualquer sintoma. Caminho, escrevo, dirijo, tudo normal.

Por que eu tenho dores? Não sei. Eu defendo a tese de que, ao retirar a cortizona e diminuir a metadona, passamos do limite. A cortizona tudo bem, tinhamos que tirar o quanto antes porque segundo a médica ela enfraquece ainda mais os ossos, podendo acelerar as conseqüências do tumor. Já a metadona talvez devessemos voltar à dose anterior. Mas o mais grave nâo são as dores. O mais grave é que estou tendo dificuldade para fazer as aplicações de quimio. Ela foi mais uma vez retardada porque estava com as plaquetas em nível muito baixo. Também as hemácias, o que me deixou alguns dias ofegante, qualquer movimento um pouco mais brusco era como se tivesse corrido dez metros em toda velocidade. Para completar, comecei a ter frebre de 39, 40 graus pela manhã. Dra. Mônica receitou um antibiótico que parece não estar fazendo efeito. Na última crise de dor e febre, ela resolveu me internar, decisão tomada ao telefone com Tata. Eu não queria de jeito nenhum e negociei para ficar em casa com a condição de que se eu tivesse febre novamente deveria ir para o hospital sem discussão. Tomei, no dia seguinte, mais duas bolsas de sangue. E foi feita coleta de sangue para exames em cultura para identificação do vírus ou bactéria (sei lá) que provocou essa infecção. Desde então tive febre mais duas vezes, mas consegui baixar com Tylenol e um bom banho. Esperamos o resultado para segunda-feira, quando – finalmente – iniciaremos o tratamento com o antibiótico correto.

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Comentários do post 37630598

Enquico, Zele, Zelda, Taís…. Alguma notícia? Bjs, Deborah

Deborah | Email | 21-11-2005 15:05:03

Cadê notícias, guri?

Claude | 21-11-2005 02:07:43

Aqui tá começando o verão. Espero que em breve possam vir pegar um sol com a gente. Abraços, Luis

Luis Eduardo | Email | 21-11-2005 01:00:49

Acredito que as coisas vão melhorar! Tenho fé que vão sim. Abraços!

Cristiane | 16-11-2005 12:44:52

sou uma pessoa que passa por aqui de vez enquando. Admiro sua luta, sua força e de sua Tatá. Espero que fiques bem. Sugiro que procures a fé, a confiaça em Deus, ou em outro ser, santa ou santo. Acredite em alguma coisa, ajuda . A fé remove montanhas. Procure outros tratamentos alternativos, claro sem desitir do convencional. Tantas pessoas se curam acreditando em ervas, remedios, chás e outras religiões. mude suas convicções, não custa nada e nem vai piorar nada. Minha tia quando doente tomava um liquido de um certo caule. Hoje está bem, os médicos não acreditavam. o que importa que está ótima e feliz. pense… reflita… vale a pena. nada é perdido e se for será apenas mais uma opção pra vencer a doença. fique bem. eu

eu | Email | 15-11-2005 23:04:45

aos amigos que esperam por notícias do Enrico. Ele foi internado no domingo com muitas dores…Graças a Deus está saindo agora a noite do hospital. Ele e Tatá sao heróis. Ela por estar presente o tempo todo, tipo dormir sentada na emergëncia, lutar por um quarto e ainda dormir mais uma noite sentada, atenta a todos os medicamentos, a todos os movimentos do Enrico. da médica e enfermeiras. E ele o herói que não se entrega, que vence a batalha e continua com seu trabalho, sua coluna, seu bom humor. Ainda não tinha visto as cenas de dores. Hoje infelizmente tive o prazer de presencia-las. E fiquei chocada. A força, a resistência a chegada delas, a luta para vencê-la, é indiscretível. Enrico e Tatá amo vocês! Estou perto quando precisarem e contem com minhas orações. Vamos todos juntos sair dessa e festejar a vitória. Um grande abraço. Aos amigos pensem positivo, passem muita energia boa. Nós todos da família agradecemos um grande abraço. zele.

zele | 15-11-2005 22:24:31

Oi. Como sempre…passando pra saber notícias. Não deixo de pensar muito em ti e na Tata. Espero que as dores tenham já te dado trégua pra seguires criando oportunidades de estar feliz! Beijos com saudades. Não deixa de publicar notícias.

Claude | 14-11-2005 17:58:45

Enrico Boa tarde Estou torcendo por você e pela Tata!! Meu marido está passando por uma situação idêntica à sua. Sei o que estão passando. Abraços, força, força, força… Mostre para essa doença o poder do seu Deus.

Aline | Email | Homepage | 11-11-2005 18:48:09

oi, mano! Estou contando os dias e as horas pra voltar pra casa. Tenho obtido notícias suas pela mãe. Todos os meus pensamentos estão voltados pra vocês. Tenho trabalhado muito. Estou bem! Quanto as tuas dores não sei o falar, acho que estás sendo muito forte e tens nos mostrado o quanto devemos lutar pelas coisas que queremos e gostamos. E demonstras isso não só na doença como no teu sucesso profissional. Me orgulho muito de você. Estarei chegando na sexta, morrendo de vontade de comer o pão cazeiro do pai, o feijão da mamy, o churrasco e uma comida bem caseira. Deu até água na boca. Não aguento mais lanches e restaurantes. E farofa, carne de sol… abracinhos de sua irmã. te amo.

zele | 09-11-2005 18:52:30

Gilnei querido, fico impressionada como consegues escrever com tanta clareza todos esses episódios de agravos da tua doeça, às vezes até parecendo ser alguém de “fora” assistindo e descrevendo, parabéns. Sei que a barra tá pesada no momento, mas tenho ainda o fondue esperando vocês. Se tiveres uma trégua, dá o toque. Tenho um filme, pra sugerir, que achei “muito bala”, como disse a Letícia. É um filme alemão, chama-se “O que fazer em caso de incêndio”. É móóóóito legal! Bjus da tua “miguinha”.

Frida | 06-11-2005 18:22:40

Mano, estou contigo sempre. Toca firme e sempre que precisares conte conosco! Amamos voces muiiiiiiiiiiito! saudade.

Zelda | Email | 06-11-2005 14:26:45

Só posso te dizer, rico Enrico, que quieta, estou contigo e com a Tata. Mas estou com todos os outros que estão ao teu lado, teus conhecidos ou não. Genial o que fizeste: a doação para o Museu Hipólito. Êta guri! Arriba la Cordillera! Meu afeto

Ritinha | 05-11-2005 20:29:19

Ola, que bom que escreveu ja estava preocupada! Sao muitas as surpresas nas nossas vidas todos nos temos uma, eu ja ate perdi as contas porem o melhor de tudo e ter fe e saber que Deus pode todas as coisas, nao temes e nem se desespere tens muitas pessoas que estao ao seu lado para lhe dar amor e carinho, Feliz naqueles que na dor ou na aflicao encontra um ombro amigo para chorar.Es um vencedor acredite! Um grande beijo com muito carinho em voce e na sua esposa tambem…. beijos

Alessandra | Email | 05-11-2005 15:05:21