Cabo Lúcio

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Os anos passaram e Nely foi imergindo no cotidiano. Todo dia acompanhava Mãe Velha para lavar roupa no arroio. Pegava uma roupa pequena e ficava esfregando, imitando. Também a acompanhava na entrega da roupa já passada em fardos brancos sobre a cabeça. Uma das casas que freqüentavam era a do ator Paulo José. Nely brincava com ele, enquanto esperava Mãe Velha, comendo bolo, que de vez em quando serviam. Mãe Velha não gostava nada disso.

Na época, Mãe Velha sofreu muito com o negócio da tuberculose, que atacou suas irmãs. Nely acompanhou tudo muito de perto. Mas não podia olhar os doentes nem chegar perto. E quando alguém morria, queimavam as roupas e objetos pessoais em uma fogueira no pátio. Já Maria, enquanto isso, vivia em função de Nely, pelo menos logo que chegava do trabalho.

Um dia, no caminho de casa, Maria viu uns dez brigadianos chegarem lentamente, todos muito empoeirados, com os cavalos extenuados, até a praça. Entre eles notou aquele cujo cavalo era o mais possante, que não mostrava cansaço algum, embora carregasse a mesma poeira no uniforme. Moreno, de bigode fino, empertigado, parecia alto de tão altivo. Mas ao descer do baio notou que era baixinho, mas cheio de pose. Do jeito que gritava com os demais devia ser o chefe. Maria ouviu conversas de pequenos grupos ao seu lado. Aquele era um tal cabo Lúcio.

(Escrito com colaboração da Zele)

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Comentários do post 38426219
Só faço um pedido: essa história merece estar impressa e ser lida por muito mais gente! Tô aqui à espera dos próximos capítulos. Ô família bonita! Beijo e não deixa de dar notícias tuas aqui no blog, também, Enrico.

Claude | 10-04-2006 09:20:06