Cansaço

Posted by in Trópico de Câncer

Eu e Tata estamos cansados. Não existe outra resposta para explicar as sensações que temos. Eu tô cansado de estar sempre doente de alguma coisinha, quando não é um coisão mesmo. Os meus dias se arrastam em meio a compromissos médicos enquanto Tata, além de me acompanhar, em todos os aspectos possíveis, ainda trabalha num ambiente pesadíssimo como a Febem. Tenho dó, porque não é do tipo que faz as coisas pela metade ou com irresponsabilidade. Ela assume, briosa, peito cheio de ar, todos os compromissos da agenda. O que seria de mim sem ela? Nada… Hoje fomos consultar uma médida recomendada por Dra. Mônica, uma pneumologista, para investigar meus pulmões. Restou uma mancha lá, do lado esquerdo. Não se sabe o que é. Não se sabe o que será. Então, as queridas decidiram que vão fazer uma bronco-endoscopia ou coisa parecida. Aposto que Tata sabe o nome.

Para terminar, um queixa. Boa parte do cansaço de hoje se deve a um fato: os médicos são os únicos seres humanos que estão “cagando para o cliente” e não vão à falência. Impressionante, já falei aqui em alguma ocasião. Uma hora de atraso é pouco para eles. Depois ainda fomos noutra seção do hospital para marcar a tal broncoseiláoquê. Mais 40 minutos e saímos sem um médico para assinar a solitação do procedimento ao nosso plano de saúde. Quer dizer, isso vai demandar mais algumas horas amanhã.

Ah, sim, como esquecer… A consulta e depois a marcação do procedimento foram realizados no mesmo hospital onde minha Mamma se foi. No próximo feriado toda a família vai para Sant´Ana do Livramento. Embora não tenha sido planejado, nada como as raízes para recuperar o ânimo. Certamente será, entrentanto, um reencontro com nosso passado, com as coisas e manias de Mamma. Sobre isso, por sinal, um registro. As manas reuniram-se no final de semana passado para separar as roupas dela. Encontraram pelo armários buchas com cerca de mil e trezentos reais, que ela escondia para um motivo ou outro, alguns descritos em bilhetes que fazia para si. Não sabemos se ela tinha noção do que tinha e de onde estava cada uma. Eu apostaria que sim. 🙂

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Comentários do post 38433565

gustavo, nao só sei como já citei vc algumas vezes no texto. e o pearl jam está no meu repertório sim!

enrico | 24-04-2006 13:56:41

Não sei se gostas. Mas tente Even Flow, do Pear Jam.

Gustavo/Bahia | Email | 23-04-2006 17:06:44

Sei lá. Sempre que entro aqui tenho a sensação de estar sendo clichê. Coisas do tipo “vc é um guerreiro” ou algo menos original ainda já devem ter sido lidas por ti uma caralhada de vezes. Mas é sempre muito bom, muito foda, te enxergar, mesmo nessas linhas tortas, loucas, de pé, erguido, único, enxergando as coisas de cim. Dum patamar que caras como eu ainda não chegaram. Não sei se lembras de mim. Um cozinheiro da Bahia. Que vai ser pai em agosto. E que tira de você alguns exemplos… Acho que é isso. Vida longa !!

Gustavo/Bahia | 23-04-2006 17:05:27

Mandei e-mail com algumas informações. Espero que estejas bem. Com saudades.

zele | 23-04-2006 12:04:43

Pois eu também passo por aqui todos os dias para ler os recados e encontrar os carinhos que recebo de todos, inclusive e talvez especialmente aqueles que não conheço e mesmo assim me recarregam para enfrentar os dias. obrigado, obrigado, obrigado.

Enrico | Email | 22-04-2006 20:28:23

Nossa, esse agradecimento me deixou muito emocionada. lembrei de uma porção de coisas: Enrico nas leituras de Fernando Pessoa nos tempos selvagens, chamando Geisel pra jantar com a gente no Barranco e explicando pra ele que era uma injustiça eu estar desempregada, me oferecendo um ap maravilhoso para morar com um custo possível… a Polly sentada com ‘perninhas de índio’ diante de mim, fazendo poesia e balançando os cachos… todos os contatos com cada pessoa da família sempre verdadeiros, afetivos. E minha filha tomada de encantos pelo JL… Acho que eu é que tenho que agradecer, Zelda. Abraços. Claude.

Claude | 21-04-2006 22:25:03

Claude, obrigada pelo carinho que tens pelo Enrico e por todos nós. Assim com você sempre passo por aqui para saber o que nosso escritor está produzindo e pensando. Estamos bem, tentando reorganizar a vida sem a mamma e sem a doença que nos envolvia quase que totalmente. Ainda ficam muitos vazios que estamos preenchendo cada um ao seu modo e ao seu tempo. Obrigada mais uma vez por estares sempre perto da gente. Um abraço.

Zelda | 21-04-2006 18:08:33

Oie…. nem mais história, nem notícias no blog … Espero que vcs aproveitem esse feriado pra fazer coisas boas e esquecer tudo o que possa ser descartado. Por vezes, ainda que momentaneamente, é possível suspender por um tempo as coisas, e relaxar. Penso em vocês e passo sempre aqui. Claude.

Claude | 21-04-2006 17:46:35

A ida a terra natal foi ótima. Ficamos em nosso ninho familiar, como a mãe gostava, regados a uma gastronomia maravilhosa, feita por todos com muito carinho. Não chegava aos pratos maravilhosos que a mamy fazia na sexta-feira santa, como seu arroz com bacalhau e o tradicional arroz com pessego. Mas valeu, o esforço de todos. Pensava que seria mais difícil enfrentar a terra, a casa onde a mãe está presente em todos os cantos. Mas foi bom. Um deu força ao outro, e acabou sendo um final de semana muito bom. Rimos em volta da mesa, soltamos pandorgas, chimarrão envolta da lareira e nem o tradicional cordeiro assado faltou. As risadas aos poucos foram ecoando na casa. A mãe com certeza se estivesse lá estaria feliz, com todos os filhos ao seu lado. Continuaremos assim, esse é o nosso bem mais preciso. um abraço. zele

zele | 20-04-2006 21:21:04

Lendo teu texto tive vontade de recortá-lo e levá-lo para minha aula no doutorado. Estamos discutindo textos sobre humanização, sistema de saúde etc. Teu texto casa direitinho no que sempre falamos e temos dificuldade em mudar, ou seja, o papel do cliente e seus direitos no contexto de nossas práticas. Como existe muita fragmentação, todo mundo acha que faz parte periginar e alguns mais perversos até acham que não fazem mais do que sua obrigação (penar). Existem as duas faces da mesma moeda, mas sem dúvidas a os clientes/pacientes ou qualquer outro nome que se queira dar, está em muito mais desvantagem. No mais mano velho só posso dizer ARRIBA!!!!! estamos todos juntos nessa luta pela vida e pela qualidade de vida. Ter ido na terrinha foi muito bom em todos os sentidos. Fico contente que gostaste e que viveste tudo com muita intensidade. Te amamos muito.

Zelda | 18-04-2006 14:06:30

não sei se ainda lembras que eu estive por aqui durante algum tempo, depois fiquei sem internet e agora volto a entrar aqui, só quero deixar registrado o quanto me admiro com a capacidade que a internet tem de “aproximar” pessoas ainda que desconhecidas, pq sempre lembrava de ti em minhas orações, o que julgo algo um tanto quanto estranho, afinal, hoje em dia as pessoas não rezam nem por aqueles que conhecem, quanto mais por desconhecidos. O fato é que tens aqui uma “pedinte” a Deus, força a vc e a Tata, para que se vá o cansaço.

Lais | 14-04-2006 23:49:18

Hoje nem sei direito o que dizer. Tô me sentindo tão só…vim te procurar no Blog, que é um jeito meio torto de conversar com alguém. Conheço esse cansaço das coisas que parecem não se ajustar… não chega a calmaria, ou quando chega parece que é falsa, porque tem uns alfinetes cutucando em algum lugar, de um jeito que fica imperceptível pros outros, mas dá vontade de sair gritando pra avisar que assim não vai dar… Curte a viagem, resgatar raízes faz bem! A Tata está vivendo isso tudo porque escolheu estar contigo e assume isso tudo porque deseja fazer assim. É claro que com certeza ela também queria livrar-se de um bocado de provas que vocês vem enfrentando, mas não deixaria de enfrentar corajosamente nenhuma delas. Vivam o amor, jamais a culpa por causar isso ou aquilo para o outro. Beijo grande. Feliz Páscoa! Claude.

Claude | 14-04-2006 18:06:15

Compreendo a sensação de dor de impotência, mas hás de vencer. E a Tata é uma mulher muito forte e ama o que tem e o que faz – te ama e aos meninos/as dos quais trata. Ir pra terrinhaserá muito bom. Pinta nostalgia, mas também dá força. Achei tão doce a preocupação com os guardados da mamma – todas elas tem um cofrinho no meio de lençóis ou no meio das próprias roupas – pra uma necessidade ou pr’algum luxo. Mais doce os próprios bilhetes. Copiem e fiquem com eles – vocês – dentro de alguma caixa. E olhaqui: claro que ela tinha noção de tudo. Estou contigo: aposto que sim. Beijo carinhoso.

Ritinha | 12-04-2006 18:13:04