Concentrado

Posted by in Trópico de Câncer

Estamos concentrados no meu pulmão. Há uma infecção por bactérias já comprovada. Ingiro uma boa quantidade de antibióticos desde então. Meu apetite baixou entre outras conseqüências por cândida na boca, na garganta. Não tenho tosse. Alguma febre eventual, mas sempre alta, altíssima. Todos os sintomas remetem para fungos. Mas eles não foram encontrados numa broncofibroscopia. Por essas e outras talvez seja necessária uma biopsia. Mais anestesia, o que não deixa de ser uma boa notícia. Quando penso na morte, penso em algo como a anestesia geral. No meio de uma conversa e/ou de um olhar sssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss …

… e você volta seja lá como for… esbudegado ou sonolento… ou o nada.

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Trópico de Câncer
Comentários do post 38571708

Nossa voz era baixa, mas forte. Nos emocionamos quando o pai falou que ela não estaria presente fisicamente mas estaria sempre conosco. Meu pai mostra a força que temos que ter. Ao lado dele fico mais forte. Mas está sendo difícil. A palavra morte que antes não significava muito, ronda, assombra, assusta. deixa um vazio inesplicável. Sei que a mãe está perto, mas não poder vê-la, tocá-la, ouvir sua voz, pegar sua mão me deixa muito mal. Eu a sinto perto de mim, seu calor, seu perfume… mas isso não basta. Talvez o tempo vá deixando apenas a saudade e essa palavra passe a ter o mesmo valor de antes, passe despercebida como tantas outras. Um bmo dia pra todas as mamães que por aqui passam.

zele | 13-05-2006 23:14:46

Morte! Morte! Que palavra! Até alguns anos atrás nunca pensava nela. a tristeza vinha quando via um filme ou quando algum conhecido morria. Depois veio a primeira perda mais próxima meu querido vô. Tinha 90 anos, a saudade veio, mas o consolo é que havia vivido 90 anos e já sofria com uma asma danada,morreu dormindo. Talvez a morte que todos nós sonhamos. Há dois anos minha vó, sua esposa, morreu. Também estava velhinha e alguns anos vivia pensativa e sem participar de nada, como se estivesse a espera do dia da partida. E agora minha mae, parte antes que eu esperasse, tão cedo, aos 70 anos, gostaria que vivesse mais. Vejo senhoras na rua, que antes nem percebia, mais velhas do que ela e pergunto: Por que? Por que, minha mãe? A saudade doi, doi muito, penso nela a todo instante. Fui comprar presente do dia das mãe pra minha sogra, mas o presente comprado era pra mãe, as cores, o modelo que ela gostava.Hoje fomos ao cemitério Foi difícil. Levar flores, arrumar o local, rezamos todos juntos uma ave-maria.

zele | 13-05-2006 23:04:42